sábado, 23 de maio de 2026

O imediatismo que nos adoece

maio 23, 2026

Aceleração Social é o nome dado a isso que temos dentro de cada um que nos torna preocupados com o "pouco tempo que temos", conforme estudos do alemão Hartmut Rosa.

Nos vemos sempre atrasados, com o sentimento de estar ficando para trás em tudo. No tempo, em ações em coisas e objetos.

Vemos a velocidade como algo de grande valor e acabamos nos sacrificando o tempo todo por isso.

Não precisamos disso. É necessário abraçar o tédio, parar, sentir o nada, zerar e no fundo sentir a nossa principal e melhor companhia: nós mesmos.

Qualquer pessoa, hoje, cita a dopamina como algo extraordinário. Mas e se a gente parar por 1 minuto e refletir? E se parar- mos de perseguir tanto a recompensa final que talvez nem exista e que tanto almejamos?

Nosso cérebro todo atropelado pensando que tudo é baseado em uma linha de chegada, precisa dar uma pausa. A paz, a felicidade não está só atrás de uma linha de chegada ou atrás de um bom tempo de esforço ou "sofrimento".

O nosso presente, o nosso agora não é um obstáculo... É o que precisa ser vivido. O momento não precisa ser superado, não precisamos superar o momento, precisamos vivê- lo.

A doença da pressa (pesquise sobre o termo) nunca esteve tão presente em nossas vidas quanto hoje. Uma luta, um desespero cada vez pior que nos faz acreditar que as coisas precisam serem concluídas cada vez mais no menor tempo possível.

Experimente desacelerar, experimente a maravilhosa sensação de não ultrapassar a sua linha de chegada imaginária, pare e volte, sinta a coragem nisso...

Seu cérebro, sua pressão arterial, seu coração agradece...

Ai eu ouço: Mas eu cheguei antes de você, cheguei na frente!

Então vem a pergunta: E daí?

Estamos ficando doentes, nossa mente está se degradando dia a dia. E quais são as causas disso tudo? São coisas que se abrem num clique, resposta de mensagem em alguns segundos, vídeos de 15 segundos, o desespero ao ouvir uma notificação de mensagem, a obrigação de estar sempre presente e responder rapidamente.

A tecnologia que nos cerca, anda nos fazendo muito mal.

Vista de cima do Mirante da Coruja - Divisa entre Leme e Araras - SP na foto é a cidade de Leme.


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sábado, 16 de maio de 2026

A obsessão em evoluir dia a dia, destruindo a nossa mente.

maio 16, 2026
Você passa um dia todo, resolvendo problemas dos outros, resolvendo conflitos, problemas da própria profissão, pensando nos boletos, aquele dia cansativo e tudo o que quer é encerrar o dia logo para ir para casa, ver a família, dar uma pausa e descansar...
Mas basta rolar o feed e ver todos os "de hoje está pago" postados, aquela música motivacional junto da foto no espelho da academia, sem dor, sem ganho! O percurso da corrida, do pedal, a foto da marmita fitness ou o prato quase vazio. Tudo lindo! Ai um olhar para dentro da gente e o pensamento: O que tem de errado comigo?

Vivemos na era da "evolução", obcecados por perfeição, por ser melhor a cada dia, por estar sempre a um passo a frente de todo o resto! E no fim das contas entramos no círculo da autocobrança. E no fim do dia, o que era para ser de descanso é de apenas culpa...
Instantaneamente, seu tempo, que sim, deve ser de descanso, vira tempo perdido...
É ai que adoecemos, sim, por mais que você pense ai que não, que é saúde, lá no fundo, não é bem assim, porque como sempre digo: ninguém é igual a ninguém...

Nossa vida tem altos e baixos, hoje está tudo bem, amanhã pode não estar. Você pode tirar o dia para não fazer nada, para não se cobrar, e está tudo ok. O dia a dia não precisa ser algo linear, devemos respeitar nosso ciclo biológico, dias ruins, dias bons, deixar fluir como devem ser.
Se estar bem ou estar em paz depender de ter "evoluído" hoje ou ter cumprido metas de esforço, infelizmente é apenas uma autoestima frágil e nenhum argumento que "refute" esta ideia fará sentido...

Caso não concorde, tudo bem, ninguém é igual a ninguém, mas, e se a gente parar por um minuto e refletir?

O equilíbrio entre querer melhorar e saber a hora de respeitar o próprio ritmo é algo que temos que buscar todos os dias. O que mais temos é gente cansada de se cobrar tanto.


 

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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Se eu consegui, qualquer um consegue...

maio 07, 2026


É uma maneira de pensar um pouco perigosa. O fato de ter chegado a algum lugar, não significa que tudo foi tão simples. O fato de acabar nos esquecendo de todo o processo, de toda a dificuldade as quais passamos, nos leva a acreditar que foi simples. Mas nunca foi. Todas as dores, todos os sofrimentos, toda a falta de vontade que por muitas vezes permanecia mas mesmo assim, no fim, chegamos a um lugar.

Simplificar toda essa dificuldade e apontar para alguém e afirmar que se eu consegui, qualquer um consegue é deixar de lado além do esforço e dificuldade passado, outros fatores como: sorte, suporte financeiro, genética, momento emocional favorável e muitos outros que de certa forma acabam tornando com que o caminho seja mais fácil.

Acreditar que foi só querer e conseguir acaba jogando a responsabilidade para outras pessoas de que talvez elas não tenham "querido o suficiente" e no fim, não terem conseguido.


Para quem já chegou ao topo da montanha, a subida parece óbvia e simples. O cérebro esquece o nível de dor e esforço cognitivo que eram necessários quando você ainda estava lá embaixo. Isso torna o discurso encorajador, mas, às vezes, insensível à realidade alheia.

 

É preciso ter muito cuidado, então, ao tentar ser encorajador e acabar fazendo com que ao invés de incentivar, acabe desmotivando...

O psicólogo Albert Bandura estudou a Autoeficácia, que é a crença na própria capacidade de realizar tarefas.
Ao tentar motivar os outros com a frase "qualquer um consegue", você está tentando transferir a sua autoeficácia para outra pessoa.
Resumindo, o estudo mostra que o que realmente motiva não é ouvir que "é fácil" ou que "qualquer um faz", mas sim ver alguém parecido com você superando obstáculos reais e admitindo que foi difícil.
Embora essa frase pareça motivadora, ela pode ser uma faca de dois gumes: Para quem fala: Cria uma pressão imensa para nunca mais falhar (afinal, se você diz que é "só querer", o dia que você tiver uma recaída, parecerá que você "não quis"). Para quem ouve: Pode gerar frustração e culpa. Se a pessoa tenta e não consegue (por questões hormonais ou psicológicas que você talvez não tenha enfrentado), ela se sente inferior.
Portanto eu desejo a mim e a você, que apesar de toda dificuldade, ainda haja forças para continuar, cada um na sua velocidade.
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quinta-feira, 30 de abril de 2026

A tal da dissonância cognitiva

abril 30, 2026

Hoje eu descobri uma nomenclatura para definir o que mais tenho visto ultimamente. Daqueles sentimentos que vão sendo alimentados com épocas como uma pandemia, por exemplo.

Aquele sentimento de pertencer a algum grupo, pertencer a um certo grupo característico e quando por algum motivo é necessário sair e não fazer mais parte. É ai que fica o ponto crucial da questão. Sou do tipo que menospreza mais que qualquer coisa esta atitude.

A necessidade de justificar a todos que mudou, que já não faz parte do que era ou fazia antigamente vem a tona. Um desconforto que faz com que desvalorizamos o que éramos antes. Uma necessidade constante de provar a si mesmo que mudou e ser necessário expor o tempo todo. A palavra da vez, a dissonância cognitiva.

Tido como um mecanismo de defesa é o que mais vem distanciando as pessoas, umas das outras.

Só existe uma forma de se livrar disso tudo, que é ter em mente que o que fomos, não é tão ruim assim ou fomos assim porque não havia escolha e tentar o máximo não nos sentirmos seres superiores apenas por termos escolhido mudar de vida.

Área Rural de Leme/ SP - Próximo à Fazenda Graminha


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terça-feira, 28 de abril de 2026

As coisas tendem a mudar, mas depende apenas de você.

abril 28, 2026

Quando você começa algo, seja por influência ou por vontade própria, é necessário antes de qualquer coisa que você esteja ciente de que é preciso começar. Agarre-se a qualquer apoio, a qualquer incentivo que tenha e continue. É a única maneira de se manter na linha.

Mas algo muito importante precisa ser aprendido. É apenas por você. Seu ego vai brigar com você mesmo o tempo todo, você se sentirá o cara e junto com isso começa a chegar aquele sentimento de que quem não está no mesmo ritmo é pior ou simplesmente não tem vontade. A grande armadilha está lançada. É preciso uma consciência enorme para ter a coragem de parar no exato momento em que tudo isso começar.

Por mais dolorido que seja, a pausa é necessária. Aquele momento não é você. Está agindo como todos querem que você aja e no fim das contas as pessoas estão apenas aguardando a hora que você desiste.

Não dê o gosto. O mundo não vai acabar amanhã porque você parou hoje. Cada coisa tem seu lugar, tem sua hora e não precisa estar escancarado. Comece no silêncio, sozinho, sem que ninguém precise aprovar nenhuma de suas atitudes. Porque no fim, vai na fé, é apenas você contra suas próprias escuridões.

Bem lá no fundo, apenas não desista... Seja grato por quem de qualquer forma tenha te incentivado. ✌

Em algum ponto entre Leme e Araras - Foto de 2025


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sábado, 18 de abril de 2026

Quando a tampa se fecha.

abril 18, 2026

A última despedida, o último feixe de luz, a dor do nunca mais. Nada nos tornam tão iguais quanto estes momentos. Principalmente quando a despedida pode ser de você.

Não haveria mais tempo, ficaria tudo pendente, não deu tempo de terminar tudo o que durante a caminhada fomos deixando de lado. Um abraço no pai, um abraço na mãe, nos avós, seu melhor amigo que não se despediu, fica agora apenas o vazio e o sentimento de que poderia ter se esforçado mais.

Nas rodas de conversa você não se encontra mais, os bate-papos continuam sem você, as fofocas continuam sem você, seu trabalho continua sendo feito, sem você, as pessoas que você amava, agora encontram um motivo de continuar sem você e o mais triste é que você foi substituído sem nenhum esforço...

Valeu apena todo seu dinheiro? Toda sua reserva? Todas as vezes que você disse um não, por ter que guardar mais um pouco? Toda sua riqueza que não serviu para nada. Agora você se encontra na fria escuridão.

Valeu a pena seu exagero? Tudo que você comprou? Todas as vezes que você pensou apenas em ter coisas simplesmente pelo prazer de mostrar que você podia? Agora você se encontra num espaço bem limitado, apertado, com cheiro de madeira...

Sua cadeira vazia, na mesa de jantar, seu chinelo ali no canto, suas roupas na gaveta, roupas que você guardava para um momento especial que, não chegou, porque não há mais tempo.

As palavras que você guardava para quem você amava não podem ser mais ditas. Você perdeu, tudo ficou para trás... Valeu a pena aquela hora a mais de trabalho? 

Aquela apresentação de sua filha, a qual você não foi. Segurar na mão dela no momento que ela precisava e você não fez por estar ocupado com coisas que agora não fazem mais sentido.

Seus superiores ao menos lembram de todo seu esforço. Ninguém mais lembra da sua promoção no trabalho, seu alto salário já não compra mais nada. As festinhas que seu cachorro fazia quando você chegava já não existem, todo seu recorde no esporte que você tanto praticou enquanto deixava tudo que era essencial para trás, já não tem nenhum valor. Enquanto a vida passava você queria mais... E no fim... todo o mais foi simplesmente menos... Já não há mais tempo, a hora é agora, antes que a tampa se feche...

Cemitério de Leme - 2014


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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Ninguém se importa se você está bem...

abril 16, 2026

A generosidade das pessoas terminam onde há um sentimento de ego ferido.

Aquele velho ditado que muitos de nós já ouvimos, que as pessoas querem te ver bem, mas nunca melhor que elas.

Venho pensando muito sobre algo que chamam de inveja branca. Não acredito que ninguém queira nos ver mal. É natural que sofram um pouco com as conquistas dos outros. Todos querem vencer, todos querem chegar em um objetivo, as vezes não dá, cada um tem seu caminho e se alguém venceu algo, não significa que tenhamos que vencer também, da mesma forma.

Faz parte de uma espécie de competição evolutiva, onde quando vemos alguém se dando bem em algo, nos sentimos que estamos ficando para trás. Tudo isso inconscientemente.

Não há necessidade de se culpar por isso. A inveja faz parte do ser humano. Assumir o sentimento é o mais difícil. Mais difícil ainda é entender que se abraçar a este sentimento vai nos fazer mal. Nessa hora é que é necessário saber que é hora de seguir em frente. Se algo incomoda, é necessário encontrar uma maneira de eliminar. É a velha história do desapego...

Santa Cruz da Conceição/ SP


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